Resumo: Introdução: Estudos indicam que baixos níveis de atividade física e aptidão
física são fatores que se relacionam com a incidência de doenças. Alterações
fisiológicas decorrentes do aumento da idade cronológica e da pós-menopausa
contribuem para que ocorra diminuição no nível de atividade física em mulheres.
Objetivo: Avaliar a prevalência da atividade física e sua associação com as
dimensões funcional, morfológica e fisiológica da aptidão física em mulheres na
pós-menopausa. Sujeitos e métodos: Foi realizado estudo de corte transversal
com 162 mulheres, entre 40 e 65 anos, em amenorréia há no mínimo 12 meses,
acompanhadas no Ambulatório de Menopausa do CAISM/Unicamp. As mulheres
responderam oralmente o questionário International Physical Activity Questionnaire
para avaliação do nível de atividade física, que avaliou a freqüência e duração
das atividades ocorridas durante uma semana normal, de intensidade vigorosa,
moderada e caminhada, realizadas no transporte, trabalho, em casa e no lazer,
classificando as mulheres em sedentárias, insuficientemente ativas, ativas e muito
ativas. Para avaliar a dimensão morfológica foram verificados: índice de massa
corporal, circunferência cintura-quadril e porcentagem de gordura corporal. Para
avaliar a dimensão funcional utilizou-se a medida do consumo máximo de oxigênio, que foi verificada através do teste de esforço submáximo em bicicleta ergométrica.
Para a dimensão fisiológica foram verificadas: dosagem plasmática do colesterol
total; lipoproteína de alta densidade; lipoproteína de baixa densidade; triglicérides,
glicemia de jejum, pressões arteriais sistólica e diastólica. Na análise estatística foi
realizada a descrição das variáveis através das freqüências absoluta e relativa,
média e desvio padrão e utilizados testes t de Student, Wilcoxon, qui-quadrado,
razão de prevalência ajustada com nível de significância de 5%. O risco
cardiovascular foi calculado segundo o escore de Framingham. Resultados: A
prevalência da atividade física foi de aproximadamente 83,5%, sendo que 80,9%
foram classificadas como ativas e 2,5% como muito ativas, realizando principalmente
atividades durante o transporte e em casa. Aproximadamente 90% das mulheres
apresentavam baixo risco cardiovascular de Framinghan. Cerca de 80% das
mulheres eram pré-obesas ou obesas e apresentavam relação cintura-quadril de
risco alto e muito alto para doenças cardiovasculares, porcentagem de gordura
acima de 33% e mais de 50% apresentavam consumo de oxigênio baixo. Mais
de 75% das mulheres apresentavam níveis de colesterol total e frações e pressão
arterial normais. A glicemia de jejum apresentou-se normal em 88% das mulheres.
A análise estatística não observou associações significativas entre os níveis de
atividade física e os componentes da aptidão física. Conclusões: A prevalência da
atividade física em mulheres na pós-menopausa é alta, baseada principalmente
em caminhadas durante o transporte e tarefas domésticas. Essas atividades parecem
não ser suficientes para promover mudanças na aptidão física dessas mulheres
Abstract: Introduction: Studies show that low levels of physical activity and physical fitness
are factors related to the incidence of diseases. Physiological changes resulting
from increasing chronological age and the postmenopausal period contribute to the
occurrence of a reduction in the level of physical activity in women. Objectives: To
evaluate the prevalence of physical activity and its association with the functional,
morphological and physiological components of physical fitness in postmenopausal
women. Subjects and Methods: A cross-sectional study was carried out in 162
women aged 45-65 years, amenorrheic for at least 12 months, who were receiving
care at the menopause clinic of CAISM/UNICAMP. The women verbally answered
the International Physical Activity Questionnaire for the evaluation of levels of
physical activity. This instrument assesses the frequency and duration of activities
performed in transportation, at work, in the home or in leisure-time over the
course of a normal week, including vigorous and moderate exercise or walking.
Women were classified as sedentary, insufficiently active, active or very active.
To evaluate the morphological component, body mass index, waist-to-hip ratio
and percentage of body fat were studied. To evaluate the functional component,
maximum oxygen consumption was measured by means of a submaximal strength test on an exercise bicycle. To evaluate the physiological component,
plasma measurement of total cholesterol, high density lipoprotein, low density
lipoprotein, triglycerides and fasting glucose were carried out, and systolic and
diastolic blood pressure were measured. For the statistical analysis, variables were
described using absolute frequency or relative frequency, means and standard
deviation. Student?s t-test, Wilcoxon and Chi-square tests were used, as well as
adjusted prevalence ratios. Significance was set at 5%. Cardiovascular risk was
calculated according to Framingham?s score. Results: Prevalence of physical
activity was approximately 83.5%, of which 80.9% were classified as active and
2.5% very active. Principal activities were performed during transportation and in
household duties. Approximately 90% of the women presented low cardiovascular
risk according to the Framingham criteria. Around 80% of the women were preobese
or obese and presented waist-to-hip ratio indicative of high or very high
risk for cardiovascular disease, percentage of fat above 33%, and more than
50% of the women presented low oxygen consumption. More than 75% of the
women presented normal total and fractional cholesterol levels and blood pressure.
Fasting glucose was normal in 88% of women. Statistical analysis showed no
significant associations between levels of physical activity and the components of
physical fitness. Conclusions: The prevalence of physical activity in postmenopausal
women is high, based principally on transportation walking and on household
chores. These activities appear insufficient to promote changes in physical fitness
in postmenopausal women |